Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil (RFB), em greve há 38 dias em todo país, vão continuar paralisados pelo menos até a próxima quarta-feira (30), quando realizam assembléias para decidir os rumos do movimento. Nesta última sexta-feira (25), os auditores se reuniram para discutir a nova proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento ao comando nacional de greve, em Brasília. Na reunião, que aconteceu na tarde de quinta-feira (24), o governo atendeu a reivindicação da categoria de desvincular da questão salarial a reformulação do sistema de avaliação de desempenho dos auditores.
A implantação do Sidec (Sistema de Desenvolvimento da Carreira) deve ser debatida em outra ocasião. O governo já concordou em incluir o fator antiguidade na avaliação para progressão na carreira. Na primeira proposta apresentada o único fator que seria considerado era o mérito, considerado muito subjetivo pelos auditores.
Segundo o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais (Unafisco) de Foz do Iguaçu, Alfonso Burgo, a proposta só trouxe este avanço. Ele afirma que a tabela remuneratória e o calendário de pagamento não foram alterados. "O governo quer manter a tabela de reajustes até 2010, mas defendemos que estas parcelas sejam pagas até 2009", explica Burgo.
Na semana passada o governo propôs um salário inicial de R$ 14,4 mil e final de R$ 19,2 mil - valores próximos à pretensão da categoria. O cronograma inicial para o pagamento dos reajustes, porém, foi estendido e dividido em três parcelas, julho de 2008, julho de 2009 e julho de 2010.
Os auditores fiscais de Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, mantêm a operação-padrão na Estação Aduaneira Interior (Eadi-Sul) até a quarta-feira. Nesta sexta, o pátio do porto seco continuava lotado, com cerca de 780 esperando para terem as cargas liberadas. Também havia filas de caminhões esperando para entrar no Brasil do lado paraguaio e argentino da fronteira. Burgo avalia que perto de 1,5 mil caminhões estão aguardando para entrar no país.