Bens comercializáveis (tradable goods) são os que têm potencial para exportação ou para importação - mesmo que efetivamente não o sejam. A possibilidade de seu comércio externo põe em curso uma comparação contínua entre seu preço e o de seus concorrentes no exterior, verificando se não existem barreiras à substituição de um tipo de produto por outro.
Alguns bens serão não comercializáveis, quer por sua própria natureza, quer devido aos altos custos de transporte por unidade de produto, tarifas elevadas ou outros tipos de restrição. Exemplos de bens não comercializáveis internacionalmente podem ser encontrados no setor da habitação, de geração de energia, de transporte, de serviços educacionais, de serviços pessoais etc.
Estimativas do Banco Mundial (World Development Report, 1991) sobre a proporção de bens não comercializáveis no PIB de alguns países em 1990 incorporaram: comércio varejista e atacadista; transportes e comunicações; serviços de seguros, corretagem imobiliária e comercial; serviços pessoais, sociais e comunitários; administração pública; segurança e defesa. Como exemplos de estimativa de percentuais de não comercializáveis no PIB, temos: Brasil, 48%; Argentina, 53%; Bélgica, 67%; Japão, 63%; Estados Unidos, 69%; México, 59%; e Coréia do Sul, 46%.
Programas de estabilização econômica baseados na valorização cambial e na correspondente disciplina imposta por importações dependerão do comportamento dos bens não comercializáveis, não sujeitos automaticamente a tal disciplina. Com efeito, seus preços relativos têm mostrado uma tendência a subir num primeiro momento dos programas. Na medida em que os não comercializáveis afetarem os custos da produção dos comercializáveis, a competitividade destes sofrerá, caso não se reverta posteriormente a alteração de preços relativos.