O sistema financeiro brasileiro é, em muitos sentidos, único em comparação com os sistemas financeiros encontrados em outros países em desenvolvimento. Economias subdesenvolvidas e em desenvolvimento normalmente exibem sistemas financeiros que se resumem à existência de bancos comerciais, que se encarregam apenas das operações financeiras mais fundamentais, como a captação de depósitos e realização de empréstimos.
O grande desafio do desenvolvimento econômico, no que se refere ao sistema financeiro, é o de ser capaz de oferecer não apenas um volume de serviços que cresça tanto quanto a demanda, mas que se diversifique no grau necessário para satisfazer a procura por serviços sempre mais variados por parte tanto de investidores quanto de demandantes de recursos. É neste sentido que o sistema financeiro brasileiro é único: comparado com países com grau de desenvolvimento similar, ou mesmo mais avançado, é certamente o que exibe um setor financeiro mais diversificado, dinâmico e inovador, instituições financeiras nacionais sólidas e competitivas e mercados de títulos com alta liquidez, favorecendo o aplicador. Em paralelo, porem, o sistema financeiro brasileiro exibe também graves limitações, particularmente no seu papel de suporte ao crescimento econômico, dando pouco apoio a demandantes de recursos e contribuindo muito menos do que poderia para que o país aproveite suas potencialidades.
De certo modo, ambas as características, isto é, seu grau de sofisticação tanto quanto sua inadequação às demandas de apoio ao crescimento econômico que se colocam na atualidade resultam de uma mesma raiz: a elevada e persistente inflação que marcou a operação da economia brasileira dos anos 1960 até o plano real em 1994.