O modo pelo qual a economia brasileira conviveu com este longo episódio inflacionário foi bastante peculiar. Em outros países que sofreram de mal similar, o público reagiu à corrosão do valor da moeda nacional fugindo para o dólar americano. No caso brasileiro, a fuga se deu em favor de ativos financeiros indexados, criados principalmente pelo governo, mas também, ainda que em grau significativamente menor, pelo setor privado. Estes ativos eram em parte criados pelo sistema financeiro, mas mesmo aqueles criados pelo governo eram comercializados pelas instituições financeiras que os ofereciam ao público ou os usavam como lastro para sua captação de recursos. Assim, a fuga à moeda nacional, no caso brasileiro, longe de enfraquecer as instituições financeiras domésticas, abriu-lhes novo e promissor campo de atividades. Em contraste, em países como a Argentina, dentre muitos outros, a fuga para o dólar americano retirou ao sistema financeiro local qualquer possibilidade de sobrevivência.
A operação com ativos indexados permitiu às instituições financeiras brasileiras manter-se não apenas saudáveis, mas, na verdade, extraordinariamente lucrativas. No entanto, a competição entre as líderes manteve-se intensa, ainda que principalmente em termos de introdução de novos serviços, mais do que em termos de preços de produtos, mantidos sempre muito elevados. Por exemplo, sob alta inflação, uma das demandas mais importantes do público é por sistemas de pagamento ágeis, que minimizem o tempo em que recursos se mantêm em trânsito de um titular a outro. Os bancos brasileiros foram capazes de responder a esta demanda de forma mais do que satisfatória. A compensação de cheques, por exemplo, já desde o final dos anos 1980 toma um tempo consideravelmente menor no Brasil que em economias como a americana ou as européias.