A aceleração da inflação nos anos 1980, no entanto, ameaçou a estabilidade do sistema. Alem disso, o governo tornou-se cada vez mais dependente da captação de recursos junto ao público para pagar suas contas, levando o sistema financeiro a utilizar uma proporção significativa de sua captação para financiar o setor público. Taxas de juros foram mantidas muito elevadas e o crédito ao setor privado tornou-se cada vez mais caro e escasso.
O resultado desta evolução foi a emergência de um sistema financeiro ao mesmo tempo eficaz, em termos microeconômicos, isto é, capaz de se adaptar rapidamente aos incentivos de mercado, e ineficaz macroeconomicamente, já que os incentivos a que tem respondido, desde os anos 1980, têm sido sempre os que o levam a financiar prioritariamente o governo, mais do que a atividade produtiva.
Apesar das expectativas inicialmente em contrário, o quadro acabou mudando pouco, depois do plano real. Esperava-se que o fim da inflação elevada incentivasse a ação das instituições financeiras no Brasil em favor do suporte ao investimento e ao consumo privados. No entanto, a persistência de desequilíbrios fiscais, por um lado, e o surgimento de graves desequilíbrios externos, que forçaram a manutenção de altas taxas domésticas de juros para atrair capitais externos, por outro, acabaram por gerar um quadro muito similar ao anterior, em que títulos da dívida pública se mantêm muito atraentes, mostrando que o problema central do sistema financeiro brasileiro lhe é, na verdade, exterior, representado pelos incentivos gerados pela própria política macroeconômica.