A Constituição de 1988 também contribuiu para a fixação de aspectos importantes do sistema existente no Brasil hoje. A Assembléia Constituinte tornou a organização do sistema financeiro matéria constitucional (que, no entanto, aguarda definição até hoje). Alguns traços da estrutura financeira brasileira refletem esta indefinição regulatória. O mais visível deles é sem duvida o que se refere à participação de bancos estrangeiros no sistema bancário domestico. No momento, a entrada de novas instituições estrangeiras está proibida, exceto nas situações em que o Presidente da Republica julgue esta entrada necessária.
Foi com base neste dispositivo que, entre 1996 e 1998, vários bancos estrangeiros receberam permissão de se instalar no país, aumentando sua participação nos ativos totais do setor bancário de 8,4%, em 1993, para 23,9% em 2000. No entanto, também traço peculiar ao Brasil, a liderança do setor foi mantida por bancos nacionais. Dentre os 6 maiores bancos do país, dois são oficiais, três são privados com controle nacional e apenas um é estrangeiro. Em setembro de 2002, os 50 maiores bancos do país detinham ativos no valor de R$ 1,198 trilhão (aproximadamente US$ 332 bilhões, a uma taxa de câmbio de 3,60 reais por dólar), representando 96,7% do total dos ativos bancários.