A aplicação em dívida pública, na sua quase totalidade indexada à taxa de juros de curto prazo (taxa SELIC) ou ao dólar, continua sendo a mais segura, liquida e rentável forma de aplicação de recursos para o sistema financeiro. Em dezembro de 2000, um raro ano próspero em um período conturbado, 26% dos ativos do setor bancário se constituíam de títulos e valores mobiliários (essencialmente títulos públicos), participação apenas ligeiramente inferior ao das operações de crédito (27,2%), nem todas dirigidas ao setor privado.
Em suma, o sistema financeiro brasileiro é constituído no presente por um conjunto de instituições bancárias bastante sólidas, bem capitalizadas, e capazes de aproveitar de forma ágil e eficiente as oportunidades oferecidas pelo mercado. Por outro lado, sua eficiência macroeconômica deixa muito a desejar, menos pela incapacidade das instituições do que pela persistência de incentivos adversos ao crescimento. Deste modo, é perfeitamente possível, e mesmo bastante plausível, que, com uma melhoria do ambiente macroeconômico, que gere incentivos ao aumento da oferta de crédito, junto com a adoção de políticas que incentivem a competição bancária não apenas através da criação de novos produtos mas também pelo barateamento do credito ao usuário, o setor possa vir a dar a contribuição decisiva ao desenvolvimento do país que até o momento lhe escapou.